Posted by : Lilian Kate Mazaki sábado, 28 de julho de 2018

E eis que fomos pegos de surpresa por um filho entre Love Live e Utena. . . (Ótima definição que o Steve Jones também usou no review dele no Anime News Network)




Olá a todos! Sejam bem-vindos ao começo de uma nova série de textos de "Comentários, surtos e teorias", dessa vez comentando uma série que mal lembrava que iria estrear, mas que tomou de assalto minha atenção assim que teve início: Shoujo Kageki Revue Starlight. E o motivo dessa paixão inesperada é bem claro:

Não é todo dia que temos um anime que parece tanto ser do Ikuhara sem ser do Ikuhara.

Como é possível uma equipe criar algo tão influenciado pelos trabalhos do aclamado diretor de Shoujo Kakumei Utena ? A primeira resposta para isso é o nome de Tomohiro Furukawa. Ele é o diretor do anime de Revue Starlight e foi diretor assistente de Yuri Kuma Arashi. Porém, além disso existe claramente uma inteção de que Revue Starlight tenha um "estilo Ikuhara".

MAS acho que estou me adiantando. Vamos voltar um pouco a fita aqui e explicar as coisas (me desculpem, esse tipo de texto mais livre e experimental acaba me fazendo flutuar em diversas direções diferentes ao mesmo tempo)

Sobre a série

Shoujo Kageki Revue Starlight é uma franquia criada pela produtora Bushiroad que teve sua estréia em 2017. O mote principal é um grupo de nove jovens artistas que estudam na escola da companhia teatral Starlight e que buscam conquistar o posto de Top Star, a grande estrela das apresentações da companhia.

A proposta dessa franquia já de cara soa como uma junção de muitas coisas que dão certo em termos de público e de mercado: A Bushiroad é a produtora de outras franquias como Love Live! School Idol Project e BanG Dream! e isso foi utilizado como modelo de negócios para a criação de um grupo de garotas que buscam o estrelato (o fator transmídia está no cerne do projeto, que já teve uma apresentação em formato de musical, tem CDs, mangá e agora uma animação). Fora isso temos o outro fator de popularidade do setting escolhido para ambientar a franquia. Ainda que o Revue Starlight seja ficcional sua referência é totalmente o Takarazuka Revue, companhia teatral feminina centenária que tem imensa influência sobre a cultura japonesa contemporânea.

E onde entra a parte Utena/Yurikuma dessa franquia? Bom, dando para as artistas uma dose descarada de yuri, espadas, duelos e um tanto de surrealismo as coisas começam a ficar mais evidentes.

Ah, vamos direto para os episódios que tudo fica melhor!



#01 - Butai Shoujo

Ok, no começo da história somos apresentados à Karen Aijou, aluna da 99ª turma do Revue Starlight. Somos apresentadas também de maneira superficial às outras personagens de destaque desta turma. As coisas começam a se movimentar com a chegada de uma aluna transferida de uma escola na Inglaterra, Hikari Kagura. Karen fica muito surpresa e feliz, pois Hikari é uma amiga de infância muito especial com quem ela fez a promessa de chegar até o estrelato juntas.

A peça da 99ª turma. Elas pareciam um grupo feliz aí
 
Hikari tem todo o feeling dark and egde. . .

Apesar da indiferença, Karen tá feliz pela volta da AMIGA


Porém a reação de Hikari ao encontrar Karen é bem diferente do que esta esperava. Ao invés de sorrisos, Hikari é apenas frieza e distância. Quando Karen sugere que Hikari divida o quarto com ela e Mahiru (a amiga mais próxima da turma de Karen e um tanto. . . obsessiva sobre esta) Hikari nega, ficando sozinha em um quarto seu.

Enfim, a história até então estava um tanto tensa pelo clima de animosidade velada tanto entre algumas personagens (Claudine e Maya são as que mais destacam isso), mas ainda assim caminhando dentro do esperado. Só que então, quando Karen tenta encontrar Hikari na escola após o final das aulas, ela acaba descobrindo o que não deveria.

Em um corredor qualquer, um elevador aguarda. . .

E a Karen acaba sendo levada para uma experiência muito louca


As audições secretas.

Em um suntuoso palco sobre o olhar de uma girafa (?!) Hikari duela contra Junna, outra integrante da 99ª turma. Karen não compreende aquilo e, em um movimento instintivo para proteger Hikari dos ataques da adversária, acaba indo na direção do palco.

MANO, ESSAS POSES ME MATAM!


E é aí que entramos de vez na loucura ikuhariana que tanto falei antes.







Essa sequência de transformação dá para ser descrita como uma junção maravilhosa das sequências de transformação de Mawaru Penguindrum e Yuri Kuma Arashi. A linguagem visual é impressionante, mas alguns elementos revelados logo após esta transformação dão a toda esta cena um toque primoroso.

O girafa explica para Karen que a "audição" é vencida por aquela que consegue arrancar o broche de estrela que sustenta a capa da adversária. Então, apesar de ter chego ali sem qualquer conhecimento do que estava acontecendo, Karen sai vitoriosa.



Karen x Junna é o melhor ship que não é porque, bom, existe a Hikari


#02 - Unmei no Butai



Diferente do que poderíamos esperar de desenvolvimento de enredo, neste segundo episódio da série temos um aprofundamento nas questões que envolveram o primeiro e inesperado duelo de Karen e Junna. Em pararelo a isto também temos um pouco de esclarecimento sobre o que afinal está acontecendo.

A Junna-chan virou rapidinho a minha personagem favorita. . .


Karen em um primeiro momento acha que tudo não passou de um sonho, mas logo descobre que não. Porém tanto Hikari quanto Junna lhe alertam para o fato de que não podem falar sobre aquilo em público. Karen continua sua busca por confrontar Hikari e tentar compreender o motivo de seu afastamento. Hikari tenta escapar dela e chega a confrontar a girafa (?!) que é quem comanda as audições, mas sem obter alguma resposta satisfatória. Então a atenção do episódio se volta para Junna.

Tão séria, tão frustrada, mas ainda assim determinada a conseguir brilhar!

Karen fica ~chats~ quando sente que feriu os sentimentos de Junna com o duelo

Não tinha como não colocar um print do ship de ódio mais maravilhoso!

Até triste não consigo parar de achá-la adorável, tadinha. . .


A frustração da derrota e a necessidade de encontrar forças para continuar sua busca por ser uma Top Star. Dessa maneira temos uma revanche logo no segundo duelo: Karen x Junno.

Junna faz os ares de Sayonji tendo o primeiro e segundo duelo!


O duelo é intenso e tende muito a favor de Junna (as observações do Steve Jones, do ANN, sobre a simbologia desse duelo foram ótimas, fica a dica de leitura - https://www.animenewsnetwork.com/review/revue-starlight/episodes-1-2/.134573). Porém, ao final, a determinação de Karen em chegar ao topo junto com Hikari sobressai e esta vence mais uma vez.



Essas sequências de duelo são incríveis, vale assistir só por elas!

O girafa (?!) então se pergunta o motivo de Karen não ter sido selecionada de primeira para as audições (ela chegou de intrusa na primeira vez, lembrando). Ele então parece perceber que isso se deve a ligação extremamente forte de Karen e Hikari (duas pessoas com um mesmo destino).

Os créditos aparecem, mas o episódio continua. Karen vai até Junna e lhe agradece pela batalha. Junna diz que aquele não é o fim, que seguirá buscando sua estrela. As duas se conciliam e se permitem chamar pelo primeiro nome, uma demonstração de ganho de intimidade.

Tentei não colocar tantos prints da Junna, mas. . .



Ao final, vemos que outro duelo ocorria. Maya Tendou vence Claudine Saijou e seu nome assim figura em primeiro lugar no ranking do estrelato das audições.


A raiva que Claudine tem pela sua rival é tão genuína que me encanta [e faz shipar mto]

Alerta de elemento de Yuri Kuma Arashi!


Comentários finais

Um mundo ordinário onde um conflito de interesses entre os personagens culmina em uma realidade quase paralela e surreal onde seus conflitos é literal em forma de duelos onde é necessário desarmar um arranjo do adversário para vencer. . . Esta descrição serve tanto para Revue Starlight quanto para Utena e é o ponto central para entender porque esta série começou causando esta impressão forte de ter um "jeitão Ikuhara". Porém, apesar de toda a influência visual e de estrutura de mundo ficcional, Revue Starlight possui muita originalidade vindo tanto da sua outras influências quanto em questões narrativas, onde consegue deixar bem claro que, apesar de toda a homenagem nada velada, a série terá muito de si mesma para mostrar.

Ainda que o diretor Ikuhara não goste de falar sobre como estrutura suas histórias, ou mesmo explicar tudo aquilo que deixa ao entendimento subjetivo do expectador, quem acompanha seu trabalho consegue perceber alguns padrões bem claros. Talvez o mais claro seja o das realidades paralelas.

Em Utena temos a arena de duelos, um lugar que parece ser físico, mas que nunca ninguém vê de qualquer outra parte do campi de Ohtori. Em Mawaru Penguindrum temos a realidade que surge quando Himari se transforma, além da transição menos física mas ainda presente dos trens para outro lugar diferente do mundo real. Em Yurikuma temos o Tribunal da Segregação, até então o ponto culminante dessa ferramenta narrativa, onde os eventos acontecem em paralelo surreal exato da realidade.

Revue Starlight utiliza de algo bastante semelhante a isto quando cria as Audições. Diferente de Ikuhara, porém, em Starlight se faz necessário algum nível de explicação lógica para os fatos, ainda que seja uma lógica bastante frágil. Porém, ainda que aja algum motivo mais concreto, em certo nível, os duelos são também representações dos conflitos que estão acontecendo no mundo real, mas vistos sobre uma ótica mais simbólica (e surreal).

Aliás, o celular tocando para chamar as garotas para o duelo foi o toquezinho Yuri Kuma que me fez arrepiar no fangirlzismo! 

Alerta de elemento de Yuri Kuma Arashi! [2]


ENFIM. . . 

Revue Starlight está apenas começando. Para quem tem curiosidade mórbida para entender logo onde ess história vai parar (como euzinha) é possível encontrar nas ~internets da vida~ o primeiro musical estrelado pelas dubladoras do grupo. A história inicia exatamente como o anime, então a probabilidade de que siga esse enredo em boa parte é alta. Talvez eu traga mais comentários sobre essa peça no decorrer dos textos de comentários. Este primeiro já está bem atrasado, então melhor lançar antes que tenham mais episódios novos para comentar do que estes que fiz agora.

Leitoras e leitores do KaS, vocês já estão assistindo Shoujo Kageki Revue Starlight? Irão assistir depois de ler um texto tão empolgadinho como este? Não conhecem a obra do Ikuhara e por isso não estão dando muita bola? Comentem aí! Diferente do usual estes comentários não irão parar nas leituras do Yuri Café, porque quero conversar com vocês diretamente nos textos e nos comentários do site. Vamos surtar juntos!

Até muito em breve!

5 Responses so far.

  1. Nina says:

    Aaahh foi o melhor pôst que vi sobre revue starlight. 😍 Hm por favor continua com mais posts sobre elas. E sim concordo com vc em tudo e nossa amei as personagens mas a Junna, meu Deus ela é demais. Sem contar que não tem como não shippar essas meninas. Parabéns pelo post e o blog.

  2. Obrigada pelo comentário, Nina-san!

    Tô vendo que não fui só eu que fiquei encantada com a Junna, fico feliz em saber! Apesar de achar que a parte mais crítica da participação dela foi nesse começo (pelo que vi na peça do Revue Starlight) ainda assim ela vai continuar tendo um espaço para continuar encantando nossos corações.

    Pode deixar que continuarei com os textos. Estou ansiosa por isso!

    Obrigada de novo o/

  3. Que amor esse anime! Coração yuri explodindo, e o Ikuhara é tão fodástico que nem precisa participar da obra pra ela ser dele, né?
    Mas vamos em partes aqui, falando do primeiro episódio...
    Apesar de a maioria das referências visuais serem de YuriKuma, achei a estrutura muito mias próxima a de Utena, em certos pontos até demais (não é uma critica negativa). Karen ter uma amiga que praticamente se joga nos braços dela, como a Wakaba fazia com nossa Príncipe (alias, a fala "quem sabe não possamos ser o casal predestinado" diz muito sobre você querida, nem tenta disfarçar), encontrar a arena de duelos por acidente, entrar na disputa para proteger uma pessoa por quem interessa-se, e até o duelo e revanche ao estilo Saionji com a Junjun (amei esse apelido, duhuhuhu), e mesmo a promessa de tornar-se uma estrela, bem as vezes como a promessa feita por Utena de ser um príncipe, e posso dizer que na transformação de Karen, eu ouvi em algum canto da minha mente tocar "Zettai Unmei Mokushiroku", mas isso é só pela repetição intensa em Utena, duhuhhuhuhu...
    Não sei vocês, mas eu quero muito um despertador T-Rex que ruge, muito lindo isso!
    Todo o peso dos sentimentos de Junna são a principal diferença aqui, na verdade, para mim. Apesar da comparação com Saionji e até mesmo o canalha de Utena acaba meio que tornando-se próximo a elas depois de tudo, Junjun tem uma personalidade realmente mais atraente, amei ela sim, certamente, mas Hikari não querer que Karen participe, tendo em vista que apenas uma será a Top Star, me soa mesmo com protecionismo, não? Apesar da frieza, ela não quer ter de lutar contra a Karen, temos uma tsundereko aqui, hum? Fazendo-se de difícil, para a "amiga"! Mas achei ela meio Homura também, esses ares de frieza e desprezo para disfarçar o sentimento é bem próximo a nossa garota mágica e até a personalidade algo inocente de Karen um tanto remete a mim a nossa Godoka em seus primeiros episódios. Quem sabe não tenhamos a queda para o lado negro do yuri explorada mais adiante?
    Esses dois primeiros episódios foram muito bons, realmente, eu não esperava por algo assim tão interessante por um bom tempo!

    Para falar um pouco sobre as personagens, Claudine e Maya seriam nossas Juri e Touga desse universo? No pouco que apareceu, Claudine me passou a impressão de ser o tipo de personagem que vai sofrer muito mais adiante, e a própria apresentação dela, como sendo uma artista talentosa e insuperável, admirada por todas as outras, mas que acaba vencida lembra um pouco a Juri (por favor, que não sofra tanto assim!). Sobre Maya falamos mais no post do episódio 03 quando sair, minha curiosidade ficou mais para Futaba e Kaoruko, nosso casalzinho oficial aqui! Yay, essas duas não tem como dizer que não são um casal, chegando de moto juntinhas daquele jeito, duhuhuhuhu. Banana-chan por agora parece pouco presente, mas espero que ela cresça, assim como a nossa "Wakaba-like" Mahiru...

    E pra finalizar, as músicas! Já devo ter dito que amo música (ironicamente, não curto musicais, vai entender...), então obviamente não pude deixar de reparar nessa parte. Que letras intensas, a música de Junjun no segundo episódio, alias antes, a fala dela aos pés do Sr.
    Girafa, "eu posso me tornar a protagonista do meu próprio destino", foi muito linda, darei uma conferida no musical certamente, mas não agora. As insertsongs das personagens são muito boas, e a OST em geral está bem trabalhada, empolgantes e dramáticas como devem ser!
    Agora é esperar por mais explicações do Sr.Girafa e esse palco secreto, e ver como nossa "Homu-homu" Hikari-chan vai se resolver com a Karen...

    Espero não ser o único esperando por um final feliz aqui, mesmo que a Claudine tenha todo jito de personagem qu vai se ferrar muito ainda....

    Até o post do terceiro episódio, Mazaki-sensei!

  4. Acabei esquecendo de comentar sobre os figurinos, tanto das personagens no cotidiano, quando estão em seus quartos, como as roupas dos duelos. O detalhe do casaco/manto preso pela fivela de estrela é algo tão simples e bonito, eu gosto muito disso, essas capas/mantos em um ombro só, dá um ar tão atraente na roupa, mas meio que não dá pra usar isso normalmente, duhuhuhuhuhu.
    E as roupas delas no cotidiano, bem destoantes do uniforme, dá uma certa personalidade a cada uma. Maya mesmo em seu quarto matem um ar mais de ojou-sama, Hikari é mais normal nesse quesito, enfim. Sei que é m detalhe bem bobo, mas gosto quando um anime tem essa preocupação de dar personalidade visual às personagens, e não apenas fazer roupas parecidas de cores diferentes...

    E capa/manto/sobre-tudo é muito luxo!

    Era isso, só um nitpicking mesmo...

  5. DLZ says:

    Eu tenho uma relação estranha com animes surrealistas assim, mas por Madoka, como eu to gostando desse. Eu to gostando de todas as personagens até agora e morrendo de pena da Mahiru, já que parece que ela vai ser a amiga candelabro.

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